Uma conversa entre estranhos.

— É, eu também.

Sentada no banco da praça, ela olhava para o horizonte, perdida em pensamentos. Ela piscou, voltando para a realidade, se lembrando de onde estava. Olhou para o lado e viu um desconhecido sorrindo para ela.

— O-o quê?

Ele riu.

— Eu também me sinto assim. Sozinho. Como se nada nem ninguém pudesse pensar o que eu penso, sentir como eu sinto. Também me sinto isolado do mundo, como se esse não fosse o meu lugar.

Ela o observava, surpresa.

— Mas como você sabe diss…

— Seus olhos — Disse ele, olhando para ela — Eles dizem tudo.

Ela desviou o olhar, olhando para o chão. Talvez um pouco envergonhada, talvez um pouco incerta. Voltou a olhar para ele.

— Porque você veio falar comigo?

Ele sorriu e voltou a olhar para o horizonte.

— Uns podem dizer que foi o destino, outros que foi coincidência. Eu? Eu só digo que foram as minhas pernas que me trouxeram aqui.

— E porque suas pernas te trouxeram?

— Elas gostam de caminhar e obedecem as minhas ordens.  Eu quis sentar-me ao seu lado e bom, cá estou eu.

— Você é… estranho, sabia?

Ele riu e olhou para o chão.

— Muitas pessoas dizem isso, e estão todas certas. Talvez eu seja considerado estranho apenas pelo fato de fazer o que eu quero, enquanto os outros seguem o rumo que os outros lhe propõem.

Silencio.

— Você também é assim. — Ele disse — Você não gosta de fazer o que os outros querem, mas não consegue evitar. Você se sente por fora, gostaria de fazer alguma coisa, mudar a sua história.

— Você está fazendo de novo.

— O quê?

— Lendo os meus pensamentos. 

Ele riu.

— Você pensa muito alto.

— Mas eu não falei nada.

— Estou apenas fazendo o meu trabalho.

— Então o seu trabalho é expor tudo o que eu sinto?

— Não. É apenas fazer você entender.

— Entender o quê?

— Que já está na hora.

Ele se levantou, e antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele havia se virado para ela e estendido a mão. Ela não conseguiu perguntar o que queria, pois as palavras haviam escapado de sua boca. Ela apenas olhou para ele. Ele riu e falou. 

— Eu tenho que cumprir outro dever também. De fazê-la sorrir, de uma maneira que você não faz há muito tempo.

Ela o olhou nos olhos pela primeira vez. Sentiu-se afundar em um mar quente e tudo a sua volta sumiu. Imagens passavam em sua cabeça como um filme mudo. Ela sentiu um calor no coração e todos os seus problemas pareciam ter sumido. Seu coração, sua mente estavam em paz. Piscou os olhos e percebeu que ainda o olhava, mas agora ele estava sorrindo.

— Como você fez isso? — Ela perguntou. 

Ele riu.

— Você fez isso sozinha. Provou a sua capacidade. Provou que é igual a mim.

Ela se levantou, mas não segurou em sua mão. Ele virou para o horizonte e colocou as mãos nos bolsos.

— Você disse que está na hora. Mas, está na hora de quê?

— Você saberá.

 Silencio.

— Você é estranho, sabia?

— É o que as pessoas dizem.

— Eu sou uma pessoa.

— Tem certeza?

— Bom, é o que me disseram.

— É, as pessoas tem o costume de dizer coisas.

Ela riu. Ele olhou para ela e sorriu também.

— Aí está. Dever cumprido.

Ela ainda sorria.

— O quê, me ver sorrir?

— Exatamente.

— Alguém te mandou fazer isso?

— Ah não. Eu só gostaria de te ver sorrindo.

Eles se olharam, os dois sorriam. Ela sentiu seu rosto esquentar, mas sustentou o olhar dele. Depois de alguns minutos de silencio, ela respondeu.

— É, eu também.

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